Na década de 1940, quando começaram a ser fabricados os primeiros sound systems na Jamaica, com recursos escassos e a criatividade característica das periferias, uma coisa mudou em relação ao som do resto do mundo. A ideia não era mais reproduzir a música da forma mais fiel possível. Os amplificadores e caixas artesanais tinham que criar um grave que não era natural, que vibrasse o corpo, que batesse no peito. Com o advento do dub na década de 1960, essa dinâmica se eleva: os equipamentos dos estúdios viram instrumentos e os técnicos artistas, desconstruindo músicas de forma experimental, criando para além do real. O grave e a batida são destacados, os ecos, reverbs e outros efeitos sonoros inseridos criam ambiências, sensações e espacialidades. O engenheiro de som pinta com a mesa de som e a obra só acontece em sua totalidade com a presença do público.
A Obra traz camadas dessa cultura representada numa foto, a partir de um recorte que explora as linhas geométricas, cores e texturas dos materiais. É sobre as partes que formam o todo, o processo de construir, de pesquisar, combinar caixas diferentes, como módulos, em busca de uma sonoridade com personalidade. Fazendo que elas sejam personagens e símbolo da equipe.